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ADOPT-DTV

(versão integral do artigo publicado no jornal "SOL", 2011-01-27)
Sexta, 27 Janeiro 2012 10:27

TDT em Portugal – oportunidade perdida?

Célia Quico, professora da Universidade Lusófona e coordenadora-geral do projecto de investigação ADOPT-DTV

«Mas eu vou ficar mesmo sem televisão? Oh meu Deus… Isto é a minha companhia!» (Catarina, 73 anos); «A minha mãe já tem 78 anos, recebe uma reforma de cento e tal euros. Como é que ela pode?» (Manuel, 48 anos); «Tem que ser! Ficar sem televisão não vamos ficar» (Sara, 46 anos ) – estas são algumas das respostas dadas pelos participantes no estudo etnográfico realizado no âmbito do projecto de investigação ADOPT-DTV da Universidade Lusófona, quando questionados sobre o desligamento do sinal de TV analógico terrestre e informados sobre a obrigatoriedade de adquirir equipamentos ou serviços para poder continuar a receber TV em casa. Estas citações servem para recordar que o grande desafio neste processo de migração não é a tecnologia, mas antes o seu impacto social.

O principal objectivo do projecto ADOPT-DTV foi o de compreender quais são os principais factores para a adopção e rejeição da TV digital por parte da população Portuguesa no contexto da migração para a televisão digital terrestre (TDT), tendo decorrido de Abril de 2010 a Outubro de 2011. Para além do estudo etnográfico acima referido, a equipa de investigação entrevistou as principais partes interessadas no processo de transição da televisão analógica terrestre para a TDT, tais como representantes da RTP, Impresa, MediaCapital, PT, ZON, Sonae.com, Anacom, Deco, entre outros. Ainda este projecto integrou um estudo de usabilidade para teste de algumas das caixas descodificadoras no mercado português, bem como um inquérito quantitativo a uma amostra representativa da população portuguesa. O relatório final e os relatórios parciais deste projecto estão disponíveis na integra no web site:  http://adoptdtv.ulusofona.pt/

Em Portugal, o processo de migração da TV analógica terrestre para a TDT tem algumas particularidades que o distinguem dos restantes países europeus. A TDT deveria trazer diversos benefícios tangíveis para os espectadores, como o aumento de canais TV gratuitos, canais em alta definição, melhoria da qualidade de imagem e som, serviços interactivos e aumento da taxa de cobertura da rede de TV em sinal aberto. Porém, no caso de Portugal não se verificou o esperado aumento de canais de TV, o canal de HD que estava previsto ainda não arrancou, a melhoria da qualidade do sinal é discutível e o único serviço interactivo disponível é o guia de programação. Ainda, há a agravante da cobertura da rede de TDT não ser verdadeiramente universal: cerca de 13% dos portugueses não recebem TDT, tendo que adquirir um equipamento satélite, mais caro do que as caixas básicas de TDT e ao qual acresce os custos de contratação de um técnico para instalação da respectiva parabólica. De notar que na vizinha Espanha, a taxa de cobertura da rede de TDT fixou-se nos 98.5% e que os espectadores passaram a receber 20 canais nacionais gratuitos com a TDT ainda antes do desligamento, quando antes tinham 4 canais nacionais em sinal aberto através do sistema de TV analógico terrestre. Vale a pena também notar que em Espanha, a população começou a ser alvo de campanhas de informação 4 anos antes da conclusão da migração, enquanto que em Portugal a primeira campanha de informação foi lançada em Março de 2011 - a 10 meses da data da primeira fase de desligamento.

Assim, já que os espectadores Portugueses praticamente não encontram benefícios perceptíveis à migração voluntária da TV analógica terrestre para a TDT e ainda têm que suportar a maior parte dos custos e do esforço para tal (a subsidiação é muito limitada e complexa, para dizer o mínimo), talvez não sejam de espantar os resultados obtidos no inquérito que a Lusófona realizou em Setembro de 2011, junto de uma amostra representativa da população constituída por 1.207 indivíduos:                 
- estimou-se que a percentagem da população de Portugal Continental que recebe exclusivamente televisão em sinal aberto estivesse próxima de 38%;
- verificou-se que a recepção de TV analógica terrestre se mantinha como largamente dominante junto dos Portugueses sem TV paga, tendo 92.4% destes inquiridos afirmado receber TV analógica através da antena tradicional e apenas 3% indicaram ter TDT;
- estimou-se que a maioria da população desconhecia qual a data prevista do desligamento do sinal de TV analógica terrestre, tendo 59% de todos os inquiridos revelado não saber qual o ano do “apagão”;
- verificou-se um baixo nível de conhecimento sobre as questões práticas relacionadas com a recepção de TDT, sobretudo no caso dos inquiridos sem TV paga em casa, dos quais 43.9% afirmaram que o seu televisor não era compatível com a TDT e 41.5% responderam não saber, enquanto que 14.6% indicaram que era compatível.

Naturalmente, estes e outros indicadores devem ter evoluído de modo positivo desde Setembro, com o aproximar das datas do desligamento. Porém, resta saber até que ponto - e a que preço para os Portugueses. Seja como for, até ao momento o processo de migração para a TDT tem sido uma oportunidade perdida para melhorar a quantidade e a qualidade da oferta televisiva em sinal aberto. Alguém deve estar a ganhar algo com a TDT em Portugal, mas até agora quem está a perder são os espectadores, em particular os que não são subscritores de TV paga - o mesmo é dizer, sobretudo os mais idosos, os mais carenciados, com menores habilitações académicas e com necessidades especiais. Ainda há volta a dar a esta situação?


 
Relatório final do projecto ADOPT-DTV
Quarta, 09 Novembro 2011 12:23

Idosos, com baixas habilitações e com algum tipo de deficiência têm risco maior de ficar sem TV depois do “apagão”


Compreender quais são os factores mais significativos para a adopção e rejeição da TV digital por parte da população Portuguesa foi o principal objectivo do projecto “ADOPT-DTV: Barreiras à adopção da televisão digital no contexto da transição da televisão analógica para o digital (PTDC/CCI-COM/102576/2008)”. O projecto de investigação ADOPT-DTV teve início em Abril de 2010, tendo a duração de 18 meses.

Os resultados principais estão detalhados no relatório final de projecto, sendo devidamente suportados nos dados e achados dos estudos empíricos que integram o presente projecto de investigação.

Relatório Final do Projecto ADOPT-DTV
http://www.slideshare.net/cquico/adopt-dtv-relatoriofinalout2011

Relatório “ADOPT-DTV: Estudo Etnográfico” + anexos
http://www.slideshare.net/cquico/adopt-dtv-estudoetnograficoout2011
http://www.slideshare.net/cquico/adopt-dtv-estudoetnograficoanexosout2011

Relatório “ADOPT-DTV: Entrevistas com Stakeholders + anexos
http://www.slideshare.net/cquico/adopt-dtv-entrevistasstakeholdersout2011
http://www.slideshare.net/cquico/adopt-dtv-entrevistasstakeholdersanexosout2011

Relatório “ADOPT-DTV: Inquérito Quantitativo"
http://www.slideshare.net/cquico/adopt-dtv-inqueritoquantitativoout2011

Relatório “ADOPT-DTV: Estudo de Usabilidade”
http://www.slideshare.net/cquico/adopt-dtv-estudousabilidadeout2011-9926613

Relatório “A transição para a televisão digital terrestre: experiências da Dinamarca”
http://www.slideshare.net/cquico/adopt-dtv-loomsasodsoportugalmar2011

Relatório “Estado da Arte na Europa”
http://www.slideshare.net/cquico/adopt-dtv-digitalswitchovereurope

EuroITV 2011 - Relatório final
http://www.slideshare.net/cquico/euro-itv2011-relatoriofinaljul2011




RESULTADOS PRINCIPAIS

1. Posse de TV em sinal aberto e de TV por subscrição
- A percentagem da população de Portugal Continental que recebe exclusivamente televisão em sinal aberto deve situar-se próximo dos 38%, em Setembro de 2011.
1.a. os indivíduos com TV paga em Portugal são sobretudo jovens adultos e adultos de meia idade, mais propensos a ter níveis mais elevados de educação e a pertencer a grupos de status mais alto (A/ B/ C) e menos propensos a ter algum tipo de deficiência (visual, auditiva ou de mobilidade).
1.b. os indivíduos sem TV paga em Portugal são mais propensos a ter mais de 55 anos de idade, a possuir baixos níveis de habilitações académicas e um baixo status (D/ E) e, finalmente, a possuir algum nível de deficiência (auditiva, visual ou de mobilidade).

2. Tipo de acesso a TV em sinal aberto
- Verifica-se que a recepção de TV analógica terrestre se mantém como largamente dominante junto dos Portugueses sem TV paga, sendo o acesso à TDT pouco expressivo, estimando-se em Setembro de 2011 que 35% da população de Portugal Continental possa ser afectada com o desligamento do sinal de TV analógico terrestre.

3. Conhecimento sobre a TV digital e TDT
- Estima-se que a maioria dos Portugueses já tenha ouvido falar em TV digital e em TDT, mas que na maior parte dos casos tenham dificuldades em definir ou caracterizar estas tecnologias.

4. Vantagens e desvantagens associadas à TV digital
- A reduzida percepção das vantagens e desvantagens associadas à TV digital e à TDT é a situação mais comum verificada, sendo o custo identificado como a principal desvantagem e a melhoria da qualidade de imagem e som percebida como a principal vantagem.

5. Conhecimento sobre o desligamento do sinal de TV analógica terrestre
- Estima-se que a maioria da população Portuguesa desconheça qual a data prevista do desligamento do sinal de TV analógica terrestre, a 3 meses do início do switch-off.

6. Conhecimento do que deve ser feito para continuar a ter TV em sinal aberto

- Verifica-se um baixo nível de conhecimento sobre as questões práticas relacionadas com a recepção de TDT, sobretudo no caso dos Portugueses sem TV paga em casa.

7. Intenção de aquisição de equipamentos ou serviços de acesso a TV digital e TDT
- Estima-se que perto de metade dos Portugueses sem TV paga estejam indecisos quanto à obtenção de equipamentos ou serviços de TV digital, a 3 meses do início previsto do desligamento da emissão de TV analógica terrestre.

8. Motivos para ter TDT
- Verifica-se que os benefícios associados à presente oferta de TDT têm pouco peso na respectiva intenção de adopção, sendo o corte da emissão de TV analógica terrestre apontado como o principal motivo para ter TDT.

9. Barreiras à adopção de TV digital e TDT
- Os custos e as questões práticas são das principais barreiras à obtenção de TV digital - e TDT em particular – para os Portugueses sem TV paga em casa.

10. Adopção de TV digital – perfis
- Propõem-se quatro perfis de adopters de TV digital em Portugal, considerando a posse de TV paga e a intenção de uso de TV digital:
10.a. Grupo – “Já Adoptou” (espectadores com TV paga por cabo, DTH, IPTV, fibra-óptica e outras tecnologias) - sobretudo jovens adultos e adultos de meia idade, mais propensos a ter níveis mais elevados de educação e a pertencer a grupos de status mais alto e menos propensos a ter algum tipo de deficiência (visual, auditiva ou de mobilidade);
10.b. Grupo – “Adopta” (espectadores de TV em sinal aberto que estão a considerar comprar uma caixa descodificadora ou televisor com TDT integrado ou então subscrever um serviço de TV paga para continuar a ver televisão em casa) - são mais propensos a serem homens, a terem idades compreendidas entre os 18 e os 44 anos, a possuírem habilitações académicas elevadas e menos propensos a ter algum nível de deficiência (visual, auditiva ou motora);
10.c. Grupo – “Em Dúvida” (espectadores de TV em sinal aberto que não sabem ou não responderam qual a sua intenção de aquisição de TV digital) - existe uma maior probabilidade de serem mulheres, a terem baixas habilitações académicas e possuírem um nível significativo de deficiência (visual, auditiva ou motora);
10.d. Grupo – “Não Adopta” (espectadores de TV em sinal aberto que alegam não ter intenção em adoptar TV digital) - são mais propensos a terem mais de 55 anos de idade, a possuírem um baixo nível de habilitações académicas (instrução primária completa ou menos) e a terem um nível significativo de deficiência (visual, auditiva ou motora).

Hipótese principal do projecto de investigação

- Verificou-se a validação da hipótese principal do projecto de investigação, em que no contexto da transição da TV analógica-digital, a adopção da TV digital está significativamente condicionada por factores de expectativa de desempenho, expectativa de esforço e influência social, com forte probabilidade de rejeição significativa por parte de segmentos da população com idade mais avançada, com menores habilitações académicas e com necessidades especiais.



RECOMENDAÇÕES

As recomendações estão detalhadas no relatório final do projecto ADOPT-DTV, sendo devidamente suportadas nos dados e achados dos estudos empíricos que integram o presente projecto de investigação, bem como na revisão de literatura realizada no âmbito do projecto.

1. Ponderar o adiamento das datas de desligamento do sinal analógico terrestre
- tendo sobretudo em consideração as pessoas que recebem em exclusivo as emissões de TV analógica terrestre, estimando-se haver um risco elevado de que parte substancial desta população possa ficar sem acesso ao sinal de televisão, a manterem-se as datas previstas para o desligamento da TV analógica terrestre.

2. Tornar atractiva a oferta de TDT, com mais canais TV e serviços úteis
- as vantagens da TDT são praticamente inexpressivas para os espectadores Portugueses, mantendo-se a mesma oferta de canais da TV analógica terrestre: a melhoria da qualidade de imagem e som não deve ser suficiente para motivar a mudança voluntária da grande maioria da população a ser impactada pelo switch-off.

3. Promover campanhas de comunicação mais informativas e esclarecedoras
- sobretudo ter em consideração as populações mais vulneráveis, como sejam os mais idosos, as pessoas com status socioeconómico mais baixo e pessoas com necessidades especiais, que correspondem à maioria das pessoas afectadas com o desligamento das emissões de TV analógica terrestre.

4. Reforçar os apoios específicos dirigidos às populações mais vulneráveis
- os mais idosos, os mais carenciados e as pessoas com deficiências visuais, auditivas e motoras devem merecer uma maior atenção da parte das entidades responsáveis nesta matéria, nomeadamente com através do reforço dos apoios específicos disponíveis.


Recorde-se que a primeira fase do desligamento da TV analógica terrestre está prevista para 12 de Janeiro de 2012, tendo impacto na maior parte da faixa litoral de Portugal continental, onde reside a maioria da população Portuguesa. Já a segunda fase do desligamento está planeada para 22 de Março de 2012 nas regiões autónomas dos Açores e Madeira e, finalmente, a terceira e última fase deve decorrer no restante território a 26 de Abril de 2012, de acordo com o calendário fixado pela Anacom em Junho de 2010.

 
Terceiro inquérito da Universidade Lusófona sobre TV digital
Quarta, 12 Outubro 2011 18:13

Apenas 3% dos Portugueses sem TV paga têm TDT, a 3 meses do início do “apagão” da TV analógica


DADOS-CHAVE DO ESTUDO
  • 38.3% dos inquiridos não possuem TV paga em casa
  • 92.4% dos inquiridos sem TV paga afirmaram receber TV analógica, via antena tradicional
  • 3% dos inquiridos sem TV paga afirmaram receber televisão digital terrestre (TDT)
  • 62% dos inquiridos sem TV paga desconhecem que em 2012 está previsto o desligamento do sinal de TV analógica terrestre
  • 43.9% dos inquiridos sem TV paga afirmaram que o seu televisor não é compatível com a TDT e 41.5% responderam não saber se é compatível
  • 55.4% dos inquiridos sem TV paga responderam não saber o que fazer para ter TDT
  • 46.4% dos inquiridos sem TV paga e com TV analógica terrestre não sabem ou não responderam se pensam adquirir equipamentos ou serviços de TV digital nos próximos 12 meses
  • 37.2% dos inquiridos sem TV paga e com TV analógica terrestre responderam que pensam adquirir um televisor ou caixa descodificadora só quando for obrigatório
  • 39.3% dos inquiridos sem TV paga e com TV analógica terrestre responderam que o principal motivo para ter TDT é porque o sinal analógico de TV vai ser desligado em breve

 A 3 meses da data prevista para o início do desligamento da emissão TV analógica terrestre, apenas 3% dos Portugueses sem TV paga afirmam ter televisão digital terrestre (TDT), de acordo com uma estimativa de um novo inquérito sobre TV digital da responsabilidade da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.            

O trabalho de campo decorreu de 16 a 27 de Setembro de 2011, junto de uma amostra representativa da população Portuguesa com mais de 18 anos, constituída por 1.207 inquiridos, dos quais 99.6% tem televisão em casa, ou seja, 1.202 pessoas. Destes 1.202 participantes com TV, 61.7% afirmaram ter TV paga em casa (P.3), o que corresponde a 742 inquiridos. Deste modo, 38.3% dos inquiridos não possuem TV paga em casa, o que equivale a 460 participantes no estudo.            

Quando questionados sobre que tipo de acesso a TV gratuita possuem (P.6), destes 460 inquiridos do novo estudo que responderam negativamente à questão “tem TV paga”, 92.4% afirmaram receber TV analógica através da antena tradicional (425 inquiridos), 3% indicaram ter TDT (14 inquiridos), 2.6% referiram receber TV gratuitamente através de parabólica e 2.6% não sabem ou não responderam a esta questão. De notar que num estudo anterior da Universidade Lusófona realizado em Novembro de 2010 e divulgado em Janeiro de 2011, do conjunto de inquiridos que indicaram não ter TV paga, 96.7% afirmaram ter TV analógica terrestre, enquanto que 1.8% afirmaram receber o sinal de TV por uma parabólica e 1.1% afirmaram receber TDT, com 0.7% a optarem por não responder e 0.2% dos inquiridos a identificarem outro tipo de acesso. Deste modo, entre Novembro de 2010 e Setembro e 2011 verifica-se uma ligeira subida da percentagem dos que afirmam ter TDT, que passou de 1.1% para 3% dos inquiridos sem TV paga.            

Recorde-se que a primeira fase do desligamento da TV analógica terrestre está prevista para 12 de Janeiro de 2012, tendo impacto na maior parte da faixa litoral de Portugal continental, onde reside a maioria da população Portuguesa. Já a segunda fase do desligamento está planeada para 22 de Março de 2012 nas regiões autónomas dos Açores e Madeira e, finalmente, a terceira e última fase deve decorrer no restante território a 26 de Abril de 2012, de acordo com o calendário fixado pela Anacom em Junho de 2010.      



TV DIGITAL E TDT – CONHECIMENTOS BÁSICOS            

Dos 460 inquiridos do estudo de Setembro de 2011 que não possuem TV paga, 62% desconhecem que está previsto o desligamento do sinal de TV analógica terrestre em 2012 (P.14). Assim, 56.5% responderam não saber para que ano está previsto o “apagão” da TV analógica terrestre, 4.3% indicaram o ano de 2011, 38% apontaram correctamente 2012, 0.9% referiram ser o ano de 2013, enquanto que 0.2% indicaram outro ano[1]. Em relação aos resultados apurados no inquérito de Novembro de 2010, regista-se um aumento substancial da percentagem de inquiridos que indicou correctamente 2012 como o ano do desligamento do sinal analógico de televisão: no estudo do ano passado, apenas 7.8% dos participantes identificaram correctamente 2012 como o ano do switchoff, enquanto 85.4% dos inquiridos afirmaram não saber quando tal vai acontecer, 6,1% indicaram o ano de 2011 como a data do desligamento e 0.7% apontaram o ano de 2013.           

Sobre a familiaridade com os termos e expressões-chave associadas à TV digital (P5.A), em primeiro lugar, 78.2% dos participantes conhecem ou já ouviram falar de TV digital. Num segundo estudo da Lusófona realizado em Janeiro deste ano e divulgado em Março, 75.5% responderam afirmativamente a esta questão, pelo que se verifica um ligeiro acréscimo neste indicador. Já sobre o termo “televisão digital terrestre”, em Janeiro de 2011, 46.1% dos inquiridos afirmaram já ter ouvido falar desta plataforma de distribuição de sinal de TV digital, enquanto que no inquérito de Setembro passado, 72% dos inquiridos responderam já ter ouvido falar de TDT, o que representa uma subida assinalável num intervalo de 8 meses. Ainda de referir que 14.3% dos inquiridos responderam conhecer a expressão “switchover digital” neste último estudo, enquanto que em Janeiro de 2011, 11% responderam já ter ouvido falar desta expressão.           



TV DIGITAL E TDT – QUESTÕES PRÁTICAS           

De modo a apurar o nível de conhecimento sobre as questões práticas relacionadas com a recepção de TDT em casa, questionou-se os inquiridos sem TV paga se sabem se a sua televisão actual pode receber o sinal da TDT (P.10), ao que 43.9% afirmaram que o seu televisor não é compatível e 41.5% responderam não saber, enquanto que 14.6% indicaram que é compatível.           

Sobre se a respectiva zona de residência tem cobertura de TDT (P.11), 70.4% dos participantes no inquérito sem TV paga responderam não saber se podem receber TDT, 18.7% afirmaram que a sua zona de residência não está coberta e 10.9% responderam que estão cobertos por esta tecnologia de distribuição de sinal de televisão.

Ainda, perguntou-se a estes 460 participantes se sabem o que têm de fazer para poder receber a TDT em sua casa (P.12): 55.4% responderam não saber o que fazer para ter TDT, contra 44.6% de respostas afirmativas. Em relação aos dados apurados em Janeiro de 2011 e divulgados em Março, 84.1% dos inquiridos sem TV paga afirmaram desconhecer o que deviam fazer para receber televisão digital terrestre. Deste modo, verifica-se um decréscimo significativo da percentagem de pessoas que não sabe o que fazer para ter TDT, mas ainda assim 55.4% é um valor que pode ser considerado como preocupante, atendendo a que faltam 3 meses para a primeira fase do desligamento do sinal analógico de TV - que vai afectar a maioria da população Portuguesa.

Mais concretamente, estes inquiridos foram questionados sobre quais os procedimentos que consideram ser necessários para receber a TDT em casa (P.13), ao que 44.6% responderam não saber se é necessário adaptar antena e 17.8% referem ser um procedimento necessário, 38.9% indicaram não saber se é necessário ter uma caixa descodificadora e 55.2% respondem que tal é necessário e 37.2% dos inquiridos afirmaram não saber se é necessário comprar um televisor novo, enquanto que 38.5% responderam ser necessário.           



INTENÇÃO DE AQUISIÇÃO DE TV DIGITAL E TDT           

Aos 425 inquiridos que responderam não ter TV paga e receber TV analógica tradicional (35.3% da amostra total de participantes com TV em casa), perguntou-se se estão a ponderar adquirir ou subscrever equipamentos e serviços de recepção de TV digital nos próximos 12 meses (P.15)[2]:           
- 16.2% pensam comprar um novo televisor, que tenha TDT integrada,
- 24.2% ponderam comprar uma caixa descodificadora de TDT,
- 6.8% têm a intenção de subscrever um serviço de TV por cabo,           
- 0.2% projectam subscrever um serviço de TV por fibra-óptica,           
- 0.5% planeiam subscrever um serviço de TV por satélite,           
- nenhum dos inquiridos identificou a opção “IPTV ou ADSL”,           
- 11.3% afirmaram não ter intenção de aquisição de equipamentos e serviços de recepção de TV digital (representam 4% da amostra total do inquérito),           
- 46.4% não sabem ou não responderam a esta questão.           

Em comparação com os dados apurados em Novembro do ano passado, os 525 inquiridos sem TV paga e com recepção de TV analógica por antena tradicional responderam do seguinte modo:           
- 7.8% previam optar pela aquisição de um televisor com TDT integrada;           
- 8% manifestaram estar inclinados para comprar uma caixa descodificadora de TDT,
- 5.8% ponderavam optar pela subscrição de TV por cabo,            
- 1.3% consideraram a possibilidade de ter TV por fibra óptica,           
- 0.4% ponderavam a opção TV satélite           
- nenhum dos inquiridos identificou a opção “IPTV ou ADSL”,           
- 34.1% dos inquiridos afirmaram não ter intenção de adquirir nenhum dos principais equipamentos e/ou serviços de TV digital,           
- 45.5% não sabem ou não responderam se têm intenção de adquirir equipamentos e/ou serviços de TV digital nos próximos 12 meses.           

Assim, regista-se um incremento substancial da intenção de compra caixas descodificadoras e televisores com TDT integrados por parte dos inquiridos sem TV paga e que recebem TV através analógica terrestre, que passa de 8% para 24.2% no caso dos descodificadores e de 7.8% para 16.2% no caso dos televisores com TDT. Porém, a percentagem destes inquiridos que não sabe ou que não responde a esta questão manteve-se praticamente igual neste intervalo de 10 meses: 45.5% em Novembro de 2010 e 46.4% em Setembro de 2011. Ainda, manteve-se igual a percentagem de respondentes que indicou ter intenção de subscrever um serviço de TV paga (TV por cabo, satélite, IPTV, fibra-óptica): 7.5% em Novembro de 2010 e 7.5% em Setembro de 2011.           

Estes mesmos 425 participantes do estudo de Setembro passado foram ainda convidados a responder quando pensam comprar um televisor ou caixa descodificadora para ter TDT (P.16), tendo respondido desta forma:            
- 1.9% daqui a 3 meses,           
- 2.8% daqui a 6 meses,           
- 1.2% daqui a 1 ano,           
- 37.2% só quando for obrigatório,           
- 6.3% nunca,

- 0.7% já adquiriram,           
- 0.2% deram outra resposta,           
- 49.6% não sabem ou não respondem a esta questão.

No estudo aplicado em Novembro de 2010, dos inquiridos sem TV paga e com recepção de TV analógica terrestre, 53.1% não sabiam ou não responderam quando pensavam comprar um televisor ou caixa descodificadora de TDT, pelo que se regista um ligeiro decréscimo neste indicador. Já 30.5% destes inquiridos afirmaram que o fariam só quando fosse obrigatório, valor que aumentou no inquérito de Setembro de 2011, para 37.2%. Ainda, no estudo de Novembro de 2010, 12.4% afirmaram que nunca irão comprar um televisor ou caixa descodificadora de TDT, enquanto que em Setembro de 2011 essa percentagem diminuiu para 6.3%, o que é uma descida substancial: tal número de inquiridos representa 2.2% da amostra total de 1.202 participantes.



MOTIVOS PARA OBTER TDT E O DIVIDENDO DIGITAL           

Para tentar apurar quais os motivos que podem levar os espectadores que recebem em exclusivo TV analógica terrestre em casa, perguntou-se qual o principal motivo para ter TDT (P.17)            :
- 13.2% indicaram a qualidade de imagem e som em relação à TV analógica,
- 39.3% responderam
porque o sinal analógico de TV vai ser desligado em breve,
- 3.5% porque tem TV de alta definição gratuita,           
- nenhum dos inquiridos escolheu a opção “porque tem serviços de interesse, como o guia TV”,            
- 12.5% não identificaram nenhum motivo para ter TDT,           
- 0.7% apontaram outras razões,           
- 33.2% não sabem ou não respondem qual o motivo para ter TDT.

No inquérito aplicado em Novembro de 2010, quanto ao principal motivo para ter TDT, 36.5% dos inquiridos sem TV paga e que recebem TV analógica terrestre tradicional não sabem ou não respondem a esta questão, enquanto que 25.7% dos inquiridos apontaram o corte do sinal analógico como principal motivo para ter TDT. Ainda neste inquérito de Novembro, 23.6% destes inquiridos afirmaram não encontrar nenhum motivo para ter TDT, tendo a qualidade de imagem e som sido foi apontada como principal motivo por 13.7% dos participantes e 1.9% identificaram o acesso gratuito a TV de alta definição.            

Finalmente, todos os participantes no inquérito com TV foram convidados a expressar a sua opinião sobre os usos a dar ao dividendo digital, já que com o desligamento do sinal analógico de TV vai passar a haver mais capacidade para distribuição de conteúdos e serviços através da TV digital terrestre. Ainda, no inquérito explicou-se que não vai haver capacidade suficiente para todos estes serviços, tendo o Governo que decidir sobre quais os serviços a serem fornecidos e, finalmente, procedeu-se a uma descrição genérica de cada um dos principais tipos de usos do dividendo digital, com base no estudo da Ofcom (2006) Digital Dividend Review[3].            

Em primeiro lugar, dos 1.202 inquiridos, 48.6% consideraram como muito importante ou importante que o dividendo digital seja utilizado para novos canais de TV local ou regional. De seguida, 47.8% são de opinião de que é muito importante ou importante usar o dividendo digital para canais de alta definição (HD), enquanto que 47.4% consideraram como muito importante ou importante ter mais canais de televisão nacionais e estrangeiros. Em quarto lugar está a internet de banda-larga móvel, com 39.9% dos participantes a expressarem ser importante ou muito importante que este uso seja dado ao espectro radioeléctrico libertado com o desligamento do sinal analógico de TV. Segue-se a disponibilização de serviços e conteúdos interactivos - tais como o guia de programação TV, obter informação sobre saúde, serviços para pessoas com deficiências visuais e auditivas - com 35.6% dos inquiridos a considerarem este tipo de uso como muito importante ou importante. Em último lugar das preferências encontra-se o mobile TV, com 26.4% os inquiridos a considerarem o acesso à TV através do telemóvel e outros equipamentos portáteis como uma aplicação importante ou muito importante do dividendo digital.



Estes são os resultados gerais de um inquérito quantitativo aplicado a uma amostra representativa da população portuguesa, constituída por 1.207 indivíduos com mais de 18 anos (inclusive), de 16 a 27 de Setembro de 2011.            

Este inquérito faz parte do projecto de investigação “iDTV-Health” (UTA-Est/MAI/0012/2009). O projecto é coordenado pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.           



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CONTACTOS

Manuel José Damásio           
Investigador Principal – iDTV-HEALTH           
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias           
Email: Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar

Célia Quico           
Coordenação-Geral – iDTV-HEALTH           
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias           
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DADOS METODOLÓGICOS


Universo

O Universo é constituído por indivíduos com 18 e mais anos, residentes em Portugal Continental.


Amostra
A amostra é constituída por 1.207 indivíduos.

Os respondentes foram seleccionados através do método de quotas, com base numa matriz que cruzou as variáveis Sexo, Idade, Instrução (homens), Ocupação (mulheres), Região e Habitat/Dimensão dos agregados populacionais.

A informação foi recolhida através de entrevista directa e pessoal, em total privacidade, pela empresa de estudos de mercado GfK

O trabalho de campo decorreu entre 16 a 27 de Setembro de 2011.



[1] Nota: em introdução a esta questão, os inquiridos foram informados pelos entrevistadores que o “switchover digital” é o nome dado ao processo em que a transmissão televisiva analógica é convertida em transmissão digital e que, caso não adapte o televisor e se não tiver TV por subscrição, tal significa que vai deixar de receber a RTP, SIC e TVI.

[2] Nota: no decorrer do inquérito foi explicado aos participantes o que é a TV digital e a TDT, bem como que a TDT vem substituir as actuais emissões analógicas e que para ter TDT será necessário comprar uma caixa descodificadora ou comprar um televisor já preparado para receber TDT.

. Relatório para Ofcom. Disponível online: http://stakeholders.ofcom.org.uk/consultations/ddr/mktresearch/


 
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Quarta, 12 Outubro 2011 13:03

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