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Entrevista - ZON
Quarta, 06 Abril 2011 14:01

Entrevista ZON (2010-10-12)

1. Quais os principais argumentos que podem convencer os telespectadores Portugueses a voluntariamente adoptarem a TV digital?

Nota prévia: A TV digital já existe e é disponibilizada pelos operadores de televisão por subscrição. Apenas a TV em regime de transmissão hertziana vai sofrer uma alteração em 2012[1], passando a ser disponibilizada somente na versão digital.

Sem contar com o fim da transmissão analógica, questões como a melhor qualidade do sinal e a possibilidade de receber mais canais futuramente ou os mesmos mas com melhor qualidade (HD ou 3D), interactividade, etc., podem ser factores importantes.

Em paralelo, a introdução da TV digital terrestre (TDT) permitirá libertar um bem escasso (o espectro radioeléctrico), o que possibilitará a disponibilização de novos serviços móveis (4 Geração), que beneficiarão o consumidor.

2. O que pode motivar ou incentivar os Portugueses mais reticentes a adquirirem um televisor ou uma caixa descodificadora de TV digital?

Ver resposta anterior.

3. A compra de televisores ou de caixas descodificadoras deve ser subsidiada? Em caso de resposta positiva, quem deve beneficiar da subsidiação?

Não. Os princípios legais da Concorrência definem claramente que não pode haver qualquer favorecimento de operadores em detrimento de outros. Cada pessoa deve ser responsável pela aquisição dos equipamentos necessários. As transformações e alterações tecnológicas vão ocorrendo[2] e cada pessoa tem de se adaptar. Além de que é possível encontrar descodificadores a preços muito económicos.

4. Quais os principais obstáculos ou barreiras à plena adopção de TV digital em Portugal?

Não se pode dizer que haja propriamente obstáculos, porquanto a TV analógica hertziana vai mesmo acabar e portanto, todo o cidadão com acesso à TV por via hertziana, terá necessariamente de mudar. Contudo, há que garantir uma adequada cobertura do serviço, quer geograficamente quer a nível de sinal. Igualmente deverá haver uma campanha de comunicação simples, clara e com presença destacada nas regiões do interior do país, onde a cobertura e penetração da TV hertziana é mais substancial.

5. O facto do 5º canal gratuito não ser lançado à partida, antes da data do switch-off - previsto para 26 Abril de 2012- é prejudicial ao sucesso da adopção da TV digital?

Uma vez que a ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social) concluiu que os projectos apresentados divergiam relativamente ao objectivo preconizado no concurso público, o 5º canal não arrancou. Tal poderá ter algum impacto na adopção da TDT, porquanto um novo canal (grátis) seria sempre um incentivo à mudança (e ao investimento na caixa)

Contudo, não cremos que faça grande diferença e seja determinante no sucesso do processo de Switch-Off.

6. Que recomendações faria no sentido de contribuir para um processo bem sucedido de conversão do sistema analógico de TV para o digital?

Acompanhar o desenvolvimento da rede e garantir, a priori, que os níveis de cobertura e qualidade estão de facto disponíveis.

Desenvolver campanhas de comunicação claras sobre o que é a TDT, quem precisa de fazer alguma coisa para ver TV a partir do Switch-Off e quais as recomendações sobre preços e equipamentos adequados.

Particular atenção ao segmento alvo, tendencialmente pessoas menos despertas para as tecnologias e para a sociedade da informação.

7. Como chegar às pessoas de idade, com baixa literacia tecnológica e com necessidades especiais?

Através de informação clara nos canais TV actualmente em transmissão hertziana, enquanto emitam em analógico. Utilização de empresas/entidades com presença muito capilar (e.g. Juntas de Freguesia, CTT, brochuras na correspondência da Segurança Social, etc.).

8. Como avalia a comunicação que está a ser feita em relação à conversão da televisão analógica para o digital?

Em nosso entender, não parece haver neste momento um plano de comunicação inteiramente definido. A comunicação que tem havido tem sido muito residual.

9. O que fazer com o dividendo digital, ou seja, com o espectro radioeléctrico disponível após o desligamento do sinal analógico?

Analisar as várias possibilidades tecnológicas e disponibilizá-lo a quem demonstre melhor aproveitamento do mesmo. Acesso em banda larga, recorrendo ao protocolo IP, parece ser o melhor candidato.

Deverá garantir-se a compatibilidade electromagnética, por forma a evitar interferências com sistemas e serviços actualmente disponíveis no mercado.

10. Como caracteriza a estratégia dos governos portugueses no domínio da televisão digital?

Ao longo dos últimos anos os sucessivos governos têm procurado coordenar as acções necessárias à adopção da TDT, indo de encontro às iniciativas adoptadas quer pela União Europeia, quer pelos vários parceiros europeus.

Contudo, talvez tivesse sido útil a adopção de uma solução via satélite, já que existiriam pelo menos 2 fornecedores capazes de disponibilizar o serviço em todo o território nacional, provavelmente com menores custos para o país (em termos de investimento em tecnologia importada) e até com menores custos de transporte para os canais TV actualmente em transmissão hertziana.

A disponibilização de novos canais de TV transmissão hertziana livre ou pagos mediante um produto de televisão por subscrição está ainda por decidir.

11. Qual deve ser o papel do operador de serviço público de televisão - RTP?

É o canal por excelência para a divulgação da informação sobre a TDT, mas acreditamos que os restantes canais podem dar um contributo extremamente relevante, tendo em conta as suas audiências.

12. Qual deve ser o papel do regulador - ANACOM?

Acompanhar as obrigações de cobertura e qualidade da rede TDT, garantir a melhor gestão das frequências que irão ficar disponíveis, assessorar na divulgação de informação e prestar o aconselhamento necessário às várias Entidades enquanto decorrer o processo de Switch-Off.

13. Qual deve ser o papel do operador da rede de TDT - Portugal Telecom?

Garantir a qualidade do serviço, nomeadamente em termos de cobertura e qualidade de sinal. Cumprir igualmente com as demais obrigações decorrentes do concurso que ganhou.

14. Gostaria de adicionar outros comentários ou recomendações relativos ao processo de Switch-Off da TV digital em Portugal?

[1] Contrariamente ao que é usualmente divulgado, este serviço televisivo não é gratuito. A Lei do orçamento de Estado 2010 (Lei n.º 3-B/2010, de 28 de Abril) fixa no seu Artigo 142.º Contribuição para o audiovisual 1 — Fixa -se em € 1,74 o valor mensal da contribuição para o audiovisual a cobrar em 2010, nos termos da Lei n.º 30/2003, de 22 de Agosto.

[2] Houve em meados do século passado uma alteração semelhante, aquando da mudança do sistema eléctrico de 110V para 220/230V; os equipamentos de conversão (transformadores) foram comprados por cada cidadão, enquanto não mudava os equipamentos eléctricos (particularmente os frigoríficos).

 

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