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ADOPT-DTV

Entrevista - Jorge Ferraz Abreu
Quarta, 06 Abril 2011 21:12

Entrevista - Jorge Ferraz Abreu (2010-10-28)

1. Quais os principais argumentos que podem convencer os telespectadores Portugueses a voluntariamente adoptarem a TV digital?

Genericamente, a adopção de um novo produto está directamente correlacionada com as vantagens que os consumidores lhe reconhecem. Neste caso concreto, para além de se anunciar uma melhor qualidade de imagem; a integração de serviços de EPG; e um quinto canal HD, deveriam ser correctamente anunciadas e exploradas as potencialidades oferecidas pelas STB que, por arrasto, terão que ser implementadas em casa dos telespectadores que não tenham televisores com sintonizadores digitais.

As promessas de “Pausa TV, gravação da emissão ou agendamento de gravações” deverão ser cumpridas, não obstante a necessidade do estado ter que garantir a subsidiação das respectivas STBs através dos proventos que os reais beneficiários do dividendo digital venham a usufruir.

Por outro lado, parece-me que a “real” razão de fundo da implementação da TDT (libertação de parte do actual espectro radioeléctrico – bem escasso e necessário para a implementação futura de outros serviços avançados de telecomunicações) deve, numa linguagem simples e de perspectiva de inovação tecnológica do país, ser comunicada a todos os portugueses.

2. O que pode motivar ou incentivar os Portugueses mais reticentes a adquirirem um televisor ou uma caixa descodificadora de TV digital?

No caso dos utilizadores que, ainda, não recebem TV por outras vias (cabo, satélite ou IPTV), a motivação poderá advir, por um lado, da TDT, aquando do switch-off, representar uma alternativa mais económica e, por outro, do efeito de alavanca que, tal aquisição, pode trazer ao nível de novas funcionalidades.

Contudo, é importante clarificar que TDT não é sinónimo de TV Interactiva. Enquanto que as funcionalidades, mais básicas, associadas à gravação e ao time shift “apenas” requerem STBs com disco duro, as funcionalidades interactivas (desde o simples requisitar de informação complementar, às acções mais exigentes associadas à Social TV ou a outros domínios) requerem um canal de retorno – tipicamente uma ligação à internet.

3. A compra de televisores ou de caixas descodificadoras deve ser subsidiada? Em caso de resposta positiva, quem deve beneficiar da subsidiação?

É fundamental garantir o acesso democrático e generalizado aos telespectadores que, aquando do switch-off, se verão impedidos de verem televisão. Como tal, parece-me, da mais elementar justiça, que as STBs devam ser subsidiadas, no mínimo, junto dos telespectadores mais desfavorecidos economicamente. Contudo, e como já referido, não me parece justo que seja o estado (leia-se os contribuintes) a suportarem despesas que estão, directamente, relacionadas com uma futura situação tecnológica que irá beneficiar os players que tirarão vantagens do dividendo digital. Sendo assim, julgo que o papel do estado/regulador nesta matéria deve ser o de garantir que são esses players que, de facto, contribuirão para subsidiarem as condições para este novo cenário tecnológico.

4. Quais os principais obstáculos ou barreiras à plena adopção de TV digital em Portugal?

-       Os acessos alternativos (cabo, satélite e IPTV);

-       A Web (junto da população mais jovem), uma vez que os hábitos de consumo televisivo, neste segmento da população, estão a mudar, cada vez mais, no sentido de um aumento do consumo de conteúdos audiovisuais na web em detrimento da televisão;

-       O custo das STBs, caso estas não venham a ser subsidiadas.

5. O facto do 5º canal gratuito não ser lançado, à partida, antes da data do switch-off – previsto para 26 Abril de 2012 - é prejudicial ao sucesso da adopção TV digital?

Julgo que sim, pois, como referido em 1, é fundamental que os utilizadores reconheçam mais-valias no novo produto.

6. Que recomendações faria no sentido de contribuir para um processo bem sucedido de conversão do sistema analógico de TV para o digital?

Mais informação e esclarecimento sobre os players envolvidos, sobre o que os portugueses podem esperar em termos de custos/funcionalidades das necessárias STBs e a garantia do 5º canal em HD com conteúdos interessantes.

Como chegar às pessoas de idade, com baixa literacia tecnológica e com necessidades especiais?

A acrescentar ao indicado anteriormente, destacaria a existência de interfaces adequadas a este público alvo e a oferta de funcionalidades adicionais como, por exemplo, o suporte a áudio-descrição.

7. Como avalia a comunicação que está a ser feita em relação à conversão da televisão analógica para o digital?

2, numa escala de 1 a 5.

8. O que fazer com o dividendo digital, ou seja, com o espectro radioeléctrico disponível após o desligamento do sinal analógico?

Admitindo que a questão se relaciona com a utilidade/aplicabilidade do espectro radioeléctrico, parece-me fundamental reforçar a oferta de banda larga móvel, com uma consequente diminuição de preço, e, em segundo plano, avançar para a TV móvel em modelo free to air. A questão da adopção de standards que garantam a interoperabilidade e interconexão, ao longo dos vários países da Europa, será, também, fundamental.

9. Como caracteriza a estratégia dos governos portugueses no domínio da televisão digital?

Não me parece que exista uma estratégia muito bem definida, para além da que se circunscreve à associada à implementação da infra-estrutura de suporte.

10. Qual deve ser o papel do operador de serviço de público de televisão – RTP?

Zelar pela oferta de conteúdos de interesse nacional e garantir, de facto, um serviço público de televisão.

11. Qual deve ser o papel do regulador – ANACOM?

Zelar pelos aspectos que fui referindo, nomeadamente por uma adequada distribuição do dividendo digital.

12. Qual deve ser o papel do operador da rede de TDT – Portugal Telecom?

Garantir um nível adequado de QoS.

 

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